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Apoios à Internacionalização: Introdução
 

Excertos do livro “Internacionalização das Empresas Portuguesas – 30 Casos de Referência”, adaptados ao caso particular de Cabo Verde.

Há 5 principais razões que podem levar uma empresa a adoptar uma estratégia de investimento no estrangeiro:

  • Desejo e capacidade de crescer, o que por limitações naturais do mercado interno é apenas concretizável por uma projecção no exterior. Normalmente a expansão comercial é o passo mais usual mas, em muitos casos, é económica e estrategicamente mais interessante ir mais longe e realizar investimentos de cariz industrial;
  • Capacidade disponível (real ou potencial), incluindo aqui a disponibilidade de Know-how, com a condicionante de a utilização excedentária só poder concretizar-se com a realização de investimento directo no estrangeiro.
    Alguns exemplos típicos são a Actividade Financeira (Banca e Seguros), Telecomunicações, Hotelaria e Serviços Conexos, Indústrias de Capital Intensivo, etc… casos perfeitamente sintonizados com a estratégia de investimento das empresas portuguesas em Cabo Verde as quais possuem participações significativas nos sectores referidos (Consultar canal “Negócios em Cabo Verde”/”Investimento Português em Cabo Verde”) contribuindo muito positivamente para o desenvolvimento do arquipélago;
  • Exigência, por parte de um país receptor, de unidade produtiva local como forma de viabilizar exportações, que não é de todo o caso de Cabo Verde onde a iniciativa de investimento e a sua forma de concretização cabe totalmente ao investidor;
  • Necessidade de proximidade geográfica com clientes particularmente importantes, quer pela facilidade de operações “just in time”, quer pelas vantagens de uma maior intimidade técnica entre fornecedor e cliente, facto totalmente aplicável a Cabo Verde, país de grandes afinidades linguísticas e culturais com Portugal, que se encontra a apenas 3 horas e meia de voo dos principais mercados norte-americano e europeu, ao mesmo tempo que beneficia de Acordo Comerciais com a Europa (Acordo de Cotonou), com os Estados Unidos (“AGOA-African Growth Opportunity Act” e Sistema Generalizado de Preferências), com o Canadá (Nova Iniciativa para África) e China;
  • Necessidade de acesso a determinadas matérias-primas, facilitado pelo investimento local próximo da sua fonte.

Existem já exemplos de empresas portuguesas que optaram por realizar investimentos produtivos noutros países. Não é fácil encontrar uma única forma de classificar os vários tipos de IDPE, quer por ser diferente a sua natureza, quer pelas várias motivações que lhe deram lugar, quer ainda pelo género de países a que se destina. De forma pragmática consideram-se aqui apenas 3 tipos de IDPE:

  • Instalação de unidades produtoras de bens ou serviços em países desenvolvidos;
  • Instalação de unidades produtoras de bens ou serviços em países em vias de desenvolvimento;
  • Deslocalizações da produção.

Atenhamo-nos ao caso particular “Instalação de unidades produtoras de bens ou serviços em países em vias de desenvolvimento” que se aplica a Cabo Verde.

Assumindo, de acordo com a estratégia da empresa, que se justifica a realização do investimento num país em vias de desenvolvimento, há um conjunto de factores a ter em conta. Desde logo é preciso que o investimento a realizar seja desejado pelo país receptor e se enquadre na sua linha de desenvolvimento; isto implica um estudo adequado e contactos com as autoridades, o que pode ser iniciado em Portugal através da Câmara de Comércio Indústria e Turismo Portugal Cabo Verde (Consultar canal “Contactos”), e passa, muitas vezes, por associar um parceiro local que possa agilizar as tramitações administrativas necessárias, o que não sendo obrigatório em Cabo Verde é por vezes desejável. Os problemas de Natureza Fiscal e Aduaneira, Regime Jurídico de Trabalho dos trabalhadores locais e dos expatriados, e a Política Cambial praticada devem ser determinados e objecto de compromisso escrito, caso não esteja devidamente consagrado no Enquadramento Legal do país receptor do investimento (Consultar canais “Sistemas de Regulação” e “Investir em Cabo Verde”).

IDPE por relocalização

Esta forma de investimento estrangeiro corresponde à transferência de uma unidade produtiva, ou de uma sua parcela, tirando partido de condições mais favoráveis aí existentes. Aplica-se sobretudo a empresas industriais e a razão predominante para as relocalizações de produção é a existência de custos de instalação e laboração, nomeadamente mão de obra, inferiores. Há ainda poucos casos de IDPE portugueses realizados com esta motivação mas é natural que venham a ocorrer, à medida que os custos directos da mão-de-obra portuguesa venham a situar-se em níveis francamente acima dos que se encontram em países menos desenvolvidos economicamente, retirando competitividade face a outros produtores.

Cabo Verde, apresenta neste caso um binómio custo/benefício francamente favorável, já aproveitado por algumas empresas portuguesas mas ainda longe da capacidade de absorção pelas infraestruturas disponíveis no País (Consultar canal “Infraestruturas”). Aos factos já atrás referidos, como a proximidade à Europa e Estados Unidos, os Acordos Comerciais existentes com estes blocos económicos, a existência de infraestruturas de recepção do Investimento Externo, as quais continuam em desenvolvimento, Enquadramento Legal “generoso”, juntam-se a Estabilidade Social e Económica e Mão-de-Obra com boa formação, facilmente treinável, atingindo níveis de produtividade semelhantes aos obtidos em mercados desenvolvidos.

Frases da Internacionalização

“Os empresários portugueses têm de mudar de escala; pelo menos, de um mercado de 10 milhões de habitantes para um mercado de 300 milhões de consumidores”;

“Para começar é preciso cair algumas vezes, é o que acontece com a internacionalização”;

“A exportação é via mais fácil para a internacionalização mas, em geral não concorre para o domínio do mercado; o IDPE é mais eficaz mas muito mais exigente em capacidades”;

“É importante ter a noção de riscos a afrontar na internacionalização e será mais prudente, na maioria dos casos, começar pela exportação, adoptando uma lógica comercial no investimento para abordagem ao mercado alvo”; consulte previamente as organizações que conhecem o mercado como, no caso vertente, a Câmara de Comércio Indústria e Turismo Portugal Cabo Verde;

“Recursos financeiros, tecnologia e know-how, nomeadamente quadros capazes, são essenciais e a chave para o sucesso está na capacidade do empresário. A dimensão da empresa assume relevância para poder enfrentar dificuldades de percurso”.