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Água: Caracterização
 


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A água potável constitui um recurso natural escasso em Cabo Verde facto que impõe a necessidade de se valorizar os recursos disponíveis e se recorrer às tecnologias de dessalinização de água salobra ou salgada do mar (85% do abastecimento de água potável) como fontes alternativas. A estas fontes de água para o consumo humano acrescem os vários furos de exploração, as nascentes e poços.

Cabo Verde está a aproximar-se do limite de exploração de água potável no subsolo pois as potencialidades de água subterrânea estão estimadas em 60 milhões de m3/ano e a exploração actual ronda os 40 milhões m3. Até 2020, com o ritmo de desenvolvimento do país, as necessidades subirão para 90 milhões de m3/ano sendo certo que se encontra estabelecido que "cada pessoa tem direito a 40 litros de água diários dos quais 5 litros devem ser de água potável". Para cumprir este desígnio Cabo Verde tem desenvolvido ao longo das últimas duas décadas vários projectos para atenuar a exploração dos lençóis freáticos. A gestão deste recurso cabe à recém-criada ANAS-Agência Nacional de Águas e Saneamento (clique para aceder a página temática).

Atendendo à irregularidade das chuvas e inexistência de infraestruturas de retenção hídrica a insuficiência de água é uma das principais dificuldades que Cabo Verde enfrenta. Entretanto, encontra-se já em funcionamento desde 2006 a Barragem do Poilão (foto acima), no Concelho de Santa Cruz (Santiago), obra com um custo estimado de 3.5 milhões de Euros, financiada pela Cooperação Chinesa.

O sucesso da Barragem do Poilão levou o Governo de Cabo Verde a planear a construção de mais 16 barragens (até 2016) para retenção de águas pluviais, algumas delas financiadas por Portugal, que no seu conjunto evitarão o desperdício de milhões de metros cúbicos de água no arquipélago durante a época das chuvas -Julho a Outubro. Destas, quatro estão concluídas nas localidades de Salineiro-Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha), Saquinho-Tabugal (Santa Catarina), Faveta-São Salvador do Mundo (Picos) e Figueira Gorda (Santa Cruz-Santiago) -todas na ilha de Santiago- e mais duas em curso nas localidades de Canto Cagarra (Santo Antão) e Banca Furada (Ribeira Brava-São Nicolau) com conclusão prevista para 2014. As obras das barragens de Flamengo e Principal, ambas em São Miguel (Santiago) arrancaram em 2013.

Abastecimento e Distribuição de Água Potável

A produção e distribuição de água dessalinizada em Santiago, São Vicente, Sal e Boavista foi concessionada pelo Estado caboverdeano à empresa pública Electra (clique para aceder a página temática), concessionária dos serviços públicos de electricidade e águas para diversas actividades no sector (produção e distribuição de electricidade, produção, armazenamento e distribuição de água e tratamento de águas residuais para reutilização na cidade da Praia). A empresa, para captação de água, recorre a estações dessalinizadoras por Osmose Inversa e perfurações subterrâneas, não utilizando água das barragens ou perfurações nos seus arredores.

Esta concessão não invalida a existência de pequenos operadores privados que explorando alguns furos subterrâneos participam e completam a rede de distribuição, transportando água ao domicílio em camiões-cisterna. Estes dois tipos de operadores constituem os fornecedores principais deste precioso líquido ao mercado doméstico e às actividades económicas.
A rede completa-se com fontanários e chafarizes a par de outras fontes não potáveis (poços, levadas, e nascentes).

De acordo com os dados disponíveis (2013), no que respeita aos meios de distribuição de água potável sabe-se que a rede pública de distribuição de água chega a 60% dos agregados familiares (67% nos meios urbanos; 45% nos meios rurais) no entanto apenas 50% a utiliza como principal fonte de abastecimento. Cerca de 7%, apesar de possuir ligação à rede pública, vai buscá-la a casa de vizinhos, 19% recorre a chafarizes, 7% recorre a auto-tanques e 7% não tem acesso a fontes de água potável recorrendo a poços, levadas e nascentes.

A atribuição, em finais de 2011, pelo MCC-Millennium Challenge Corporation (ver notícia aqui), de um apoio de cerca de U$D 65 milhões no âmbito do 2º compacto MCA-Millennnium Challenge Account (clique aqui para aceder ao site) permitiu que Cabo Verde planeasse a infraestruturação de produção de água e saneamento em diversas ilhas com especial incidência em Santiago, projecto que estará concluído até 2016.

Relativamente às práticas de conservação de solo e da água regista-se uma tendência para uma melhor utilização da água na agricultura com recurso a técnicas de micro-irrigação (gota-a-gota) o que vem diminuindo consideravelmente o consumo por unidade de superfície irrigada.

As múltiplas utilizações da água (abastecimento doméstico, abastecimento industrial, agro-pecuária e outros) e os conflitos daí advenientes exigem cada vez mais que se adoptem mecanismos adequados de planeamento da utilização dos recursos hídricos. Com a tendência da população para a urbanização, com o inevitável aumento das áreas irrigadas, do parque industrial e do desenvolvimento do turismo, as necessidades aumentarão incessantemente colocando crescente pressão sobre os recursos existentes. Daí que um dos grandes desafios que se coloca é “como garantir a exploração dos recursos superficiais”.

Dado que as disponibilidades hídricas se têm mantido praticamente constantes e as necessidades não param de crescer, um dos vectores a ser explorado para melhorar a sua utilização passa pela recolha e tratamento de águas para posterior reutilização. Trata-se de um eixo estratégico de desenvolvimento dos recursos para fazer face à crescente procura.

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