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Entrevista com o Presidente da COFAC (Outubro 2005)
 

Criado em 1989, o projecto educativo Universidade Lusófona é hoje a maior Universidade privada portuguesa. Com cerca de 13.000 alunos em Portugal (dos quais 400 de origem caboverdeana), mais de 20.000 no total dos estabelecimentos que possui, e 1.000 professores, exerce a sua actividade de ensino e formação, para além de Portugal, também no Brasil, Moçambique, Angola e Guiné. A última autorização, ocorrida em Setembro de 2005, é precisamente para a Cidade do Mindelo-Cabo Verde, num processo conduzido pela Câmara de Comércio Indústria e Turismo Portugal Cabo Verde e com a colaboração exemplar das autoridades caboverdeanas, Ministério da Educação e Valorização dos Recursos Humanos e Câmara Municipal de São Vicente.
Sendo por demais conhecida a importância que Cabo Verde atribui ao desenvolvimento e valorização dos seus Recursos Humanos não poderíamos deixar em claro a oportunidade de conhecer a Universidade Lusófona. Para isso conversámos com o Presidente do Conselho de Administração da COFAC, entidade gestora do Grupo Universidade Lusófona, Professor Doutor Manuel Damásio.

Professor conte-nos por favor um pouco da história da Universidade Lusófona

O projecto educativo “Universidade Lusófona” iniciou-se em Setembro de 1989 quando surgiu a portaria aprovando a criação do ISMAG (Instituto Superior de Matemática e Gestão) e autorizando 2 cursos de bacharelato. Ao mesmo tempo saiu uma portaria a autorizar o funcionamento do ISHT (Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias), aprovando também 2 cursos. O ISMAG tinha como entidade titular a COFAC e o ISHT tinha como entidade titular a Escola Politécnica de Lisboa, mais tarde extinta, passando o ISHT a ser também tutelada pela COFAC. Mas a gestão inicial dos dois Institutos era já conjunta e fui eu próprio o gestor que lançou os 4 primeiros cursos. Em 1990/91 iniciámos o alargamento de cursos com 4 licenciaturas: Matemática, Ciência Política, Urbanismo e Informática. A partir daí começamos a crescer anualmente numa progressão geométrica. Tanto em Lisboa como fora dela, no Algarve, Marinha Grande, Fundão, Torres Vedras. Em 1991 requeremos a criação da Universidade, que se chamava na altura Instituto Superior Lusófono. A autorização demorou 7 anos; aconteceu em 1998. Actualmente tudo o que é ensino politécnico está concentrado no ISHT e o que são licenciaturas, mestrados, doutoramentos estão com a Universidade.

Com este percurso Portugal tornou-se pequeno para o projecto Universidade Lusófona...
Partimos para fora de Portugal em 1994/95. Primeiro para Moçambique, depois pós-graduações em Angola, depois Guiné e Brasil. A última autorização no exterior de Portugal ocorreu há poucos dias e é precisamente Cabo Verde, para a criação da Universidade Lusófona de Cabo Verde.

Hoje em dia a Lusófona é reconhecida como a maior Universidade privada em Portugal
Não há propriamente um reconhecimento. É uma constatação. Pelo número de alunos e de professores, pela quantidade e Qualidade das instalações somos, à luz destes critérios, a maior Universidade não-estatal portuguesa. Maior do que a Universidade Católica, mais importantes que uma boa parte das universidades do Estado. Temos uma posição razoável no conjunto de universidades em Portugal. Temos cerca de 10.000 alunos só aqui na Lusófona. No Grupo Lusófona, agora com a Lusófona do Porto, de há um ano para cá, mais o Ensino Politécnico, subiremos para 13.000 alunos, em Portugal. No conjunto dos países em que estamos presentes temos mais de 20.000 alunos.

Quantos alunos serão caboverdeanos?
Aqui na Lusófona 400 alunos caboverdeanos. Fora da Lusófona serão mais alguns. Já se formaram aqui na Lusófona largas dezenas, talvez centenas, de caboverdeanos. E alguns deles vão agora ser docentes na Universidade Lusófona de Cabo Verde; outros desempenham cargos de grande relevância em Cabo Verde.

Qual é a perspectiva da Universidade Lusófona para Cabo Verde?

Há uma perspectiva estratégica geral que é comum a todos os nossos projectos que é contribuir para o desenvolvimento de Cabo Verde cultivando as ciências, o ensino superior, politécnico, as artes, tecnologias correspondendo às necessidades do país. Depois teremos de corresponder às necessidades mais prementes que sejam detectadas. Qualquer país jovem necessita de formar quadros para a Administração Pública, na área financeira, contabilística, jurídica, técnicos na área informática, hoje universal, na engenharia civil, não tanto na gestão dos grandes projectos, na área da saúde, na área do ensino. Isto já será o suficiente para lançar a 1ª fase da Universidade Lusófona com os cursos de Contabilidade, Administração, Gestão de Empresas, Engenharia Civil, Informática e Direito.

Cabo Verde já manifestou a vontade de ver nascer iniciativas no ensino da Saúde. A Universidade Lusófona de Cabo Verde poderá dar um importante contributo nesse sector…
Temos uma escola superior de saúde, que é a Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches. Temos “know-how”, temos conhecimento, temos professores, temos gente preparada. É claro que a saúde exige bastantes laboratórios e investimento de vanguarda. Terá de ser bem ponderado.

Uma vez autorizada a instalação da Universidade em Cabo Verde, como já está, quais são os passos mais imediatos até ao início das aulas?
Prevemos que o apoio básico de secretaria, de informação, de comunicação, abra em fins de Novembro. Para informação ao público, para contactos oficiais, para recepção de candidaturas de alunos interessados, lançando os fundamentos da organização. Relativamente às inscrições, matrículas, exames de admissão, o processo decorrerá durante o mês de Dezembro e as aulas iniciar-se-ão em Janeiro.

Equipa responsável pela instalação da ULCV
Engº Faria Ferreira (esq.), Dra. Marta Veira, Professor Manuel Damásio

No plano das diversificadas competências da Universidade Lusófona prevêem prestar outro tipo de serviços que não apenas o ensino?
Uma Universidade hoje não pode estar isolada. É um factor de transformação e mola do desenvolvimento. Tem de colaborar com todo o tecido social. Com o Estado, as empresas, órgãos culturais, com toda a comunidade colocando ao dispor tudo o que uma Universidade pode dar: pensar os problemas, estudá-los, diagnosticar, propor caminhos de acção, terapêuticas. Para além disso a realização de cursos de especialização de curta duração, fins-de-semana, uma semana, 30/40 horas, para quadros, cursos práticos de informática, estudos de mercado, debates e reflexões sobre temas da actualidade, globalização, poluição, ambiente, etc...sabendo que a formação das pessoas é um processo contínuo, é uma aprendizagem ao longo de toda a vida.

A Universidade Lusófona está inserida numa “família europeia de ensino”. Possui um relacionamento com outros estabelecimentos e organismos através da Europa. Que benefícios poderá Cabo Verde obter desta ponte que agora se estabelece?
Os cursos da Lusófona são reconhecidos e aceites na União Europeia à luz da legislação comunitária. A Universidade Lusófona de Cabo Verde pertence ao Grupo Lusófona. E como tal os cursos e o ensino em Cabo Verde serão reconhecidos em todo o Grupo. Tal como os professores e alunos que poderão transitar para outros estabelecimentos do Grupo Lusófona com equivalências garantidas. Os caboverdeanos que obtenham os seus graus académicos na ULCV têm praticamente resolvido o problema de reconhecimento na União Europeia. Bem como o acesso a programas comunitários de apoio. É uma facilidade muito grande. Inclusivamente em termos de relações internacionais, e na ULCV criar-se-á também um gabinete de Relações Internacionais, iremos tentar que ULCV se filie e faça parte desta rede internacional. Tanto na Europa como na América e em África.

Pensa que Cabo Verde se poderá posicionar como um centro internacional de formação e ensino?
Do nosso ponto de vista Cabo Verde terá boas condições para ser um pólo aglutinador. Mas estas coisas não acontecem com facilidade. É muito difícil. É preciso criar condições de excelência e de atracção. Em termos de instalações, de qualidade da docência, ambiente humano e cultural. Isso não podemos fazer sózinhos, depende também de uma política do próprio Estado e até da CPLP. Mas do que conhecemos da História, das tradições e do papel que Cabo Verde desempenha no relacionamento com outros países de língua portuguesa pensamos que haverá boas condições para isso acontecer. Até porque havendo em Cabo Verde um nível elevado de escolarização e de desenvolvimento da educação poderá ser um país capaz de suprir as necessidades de quadros para outros países e outros estabelecimentos. Isso já acontece com Angola e Moçambique onde já temos muito pessoal oriundo do Brasil. E isso está subjacente à promoção da Lusofonia e ao Protocolo que assinámos com a CPLP onde defendemos e promovemos este intercâmbio e fortalecimento das relações entre os países onde se fala a língua portuguesa. Em nome de um melhor futuro para estes Países e para os lusófonos que neles vivem.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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