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Entrevista com a PORTMAR (Maio 2005)
 

Herdeira de uma longa história de transportes marítimos para Cabo Verde, antiga de 30 anos, a PORTMAR nunca deixou de servir o arquipélago. O gerente da empresa, Dr. José Vidicas, fala-nos, com gosto, da actividade da empresa para o mercado caboverdeano.

Conte-nos, para começar, um pouco da história da PORTMAR
Até 1974 existiam 2 grandes empresas privadas: a Companhia Nacional de Navegação (CNN) e a Companhia de Transportes Marítimos (CTM), que apareceu da fusão da Insulana de Navegação com Companhia Colonial de Navegação. Estas duas empresas foram nacionalizadas em 1975 e por diversos factores foram obrigadas a reconverter-se. A obsolescência dos seus navios, o facto de os países de expressão lusófona recém-independentes terem escolhido outros parceiros para o sector marítimo e as prolongadas paralisações por greve ditaram a liquidação da CNN e da CTM.

Em Dezembro de 1984 nasceram a Insulana, para o tráfego nacional, e a PORTLINE para o tráfego internacional, quer de linhas quer de matérias primas em «spot». A PORTMAR é a agência de navegação que comercializa os serviços da armadora PORTLINE. Por via disso, desde 1985, começámos a operar regularmente com Cabo Verde e Guiné. Já tivemos momento muito difíceis, já tivemos períodos menos difíceis, felizmente os actuais accionistas da PORTLINE (entre os quais se encontra o empresário de Macau Stanley Ho) têm capacidade de investimento, têm suporte financeiro. E mesmo em momentos de adversidade, como o golpe de Estado na Guiné, mantivemo-nos sempre o serviço para a Guiné e para Cabo Verde. Já estivemos sózinhos neste mercado e não foi pelo facto de sermos monopolistas nessas alturas que aplicámos taxas proibitivas ao comércio entre Cabo Verde e outros países. Não penalizámos por isso os comerciantes. Temos uma visão a longo prazo por isso servimos este mercado desde 1985.

Quais são os barcos que utilizam nesta linha para CV?
Temos tido a preocupação de manter sempre os mesmo navios nesta linha. Durante muito tempo o «Ponta de Sagres» era uma referência. Mas este navio tornou-se economicamente pouco atractivo. Era um navio semi-convencional e foi vendido para as Filipinas onde ainda opera sob o nome de Nossa Senhora de Fátima. Depois introduzimos o «Portejo», que actualmente, economicamente, já não nos interessa manter neste tráfego porque temos que ter navios mais rápidos e com maior capacidade. Hoje os navios são como armazéns. Dados os custos de armazenagem os importadores pretendem importar menores quantidades, com mais frequência. Nós PORTMAR, garantimos aos nossos clientes que em 6 dias têm a mercadoria à venda em São Vicente. Em 7 dias estão em Santiago. É importante que os nossos clientes confiem em nós para rentabilizarem os seus investimentos.

Como se acede aos serviços da PORTMAR?
A PORTMAR contacta o mercado directamente, através dos seus serviços comerciais, ou o cliente pode vir até nós num dos escritórios que temos em 6 dos principais portos portugueses: Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal, Sines e Funchal. E agora também na Praia. Em Cabo Verde temos mesmo uma sucursal. E devo aqui fazer justiça reconhecendo a excelente ajuda que nos foi dada pela Câmara de Comércio Portugal Cabo Verde para rapidamente concretizarmos o processo de criação da nossa empresa em Cabo Verde; quando estávamos a receber informação incorrecta de Cabo Verde foi com base na informação da Câmara de Comércio que nós fomos capazes, em curto espaço de tempo, começar a operar em Cabo Verde.

Pode quantificar a carga, em contentores, que é enviada para Cabo Verde?
Transportámos, em 2004, 1.340 TEUS (1 TEU=1 contentor de 20 pés; 2 TEU=2 contentores de 40 pés) de Portugal para Cabo Verde e enviamos sensivelmente o dobro para a Praia do que para Mindelo.

Que avaliação faz dos serviços prestados Portos de Cabo Verde em termos de Qualidade, Rapidez, Custo…?
Nós somos apenas agentes. O armador é que lhe poderia adiantar essa informação. Mas posso dizer-lhe que os Portos de Cabo Verde não são atractivos em termos de preços; os preços da estiva são também muito elevados. Mas felizmente é um país estável, não temos perdido muito tempo nas operações de descarga com quebras ou com greves. Mas ocorre uma outra situação, muito própria daquela zona, que é a «calema», uma ondulação permanente que dificulta e demora as operações de carga e descarga (Consulte canal "Cabo Verde/Infraestruturas/Vias Marítimas").

Um dos constrangimentos de Cabo Verde são os transportes marítimos para as exportações…
Quem dera que elas existissem. Nós temos meios permanentemente dedicados a este mercado. Vão 2 navios sempre cheios de contentores e regressam vazios. Nós estamos sempre disponíveis para praticar preços de fretes que permitam colocar as exportações caboverdeanas a preços razoáveis nos mercados de destino.

Não é então por exigirem quantidades mínimas para o transporte?
Não, não…Trazemos o que houver para transportar. Infelizmente há muito pouco. 99% da nossa receita é gerada no rumo Sul. Lá aparece um contentor de peixe ou um outro de sapatos. Têxteis quase nada! Há pouco tempo surgiu-nos a possibilidade de trazer «jorra». Mas o negócio foi inviabilizado por motivos ambientais.

Que tipo de produtos transportam para Cabo Verde?
Essencialmente Produtos Alimentares (carne, fruta), Bebidas (leite, cerveja, vinhos), Medicamentos e Material de Construção para as muitas obras que importantes empresas portuguesas estão a realizar em Cabo Verde. Devo referir que temos grande capacidade de transporte de produtos frigorificados, em contentores de 20 e 40 pés. Adquirimos recentemente 40 contentores frigoríficos novos.

Está satisfeito com os negócios para Cabo Verde?
Com todo o respeito para com os outros países de expressão portuguesa mas Cabo Verde tem para nós um significado especial. Desde logo, a proximidade. Vamos e regressamos muito rapidamente. Mas acima de tudo é um país que nos dá garantias de pagamento dos fretes. Tem capacidade para solver os seus compromissos atempadamente. E recebemos no destino, o que não fazemos com outros destinos, transferindo através das estruturas bancárias existentes. Sem problemas. Há muita confiança. A questão da língua é muito importante, a relação é muito amigável. Para nós, receber no Mindelo, na Praia, no Porto ou Lisboa é igual.

Da sua larga experiência que mensagem deixaria ao sector dos transportes marítimos?
Fala-se muito em criar em Cabo Verde uma plataforma de distribuição de mercadoria que sirva a região. Cabo Verde, estando geograficamente bem colocado, chovendo pouco, não tem impedimentos de ordem climática, tem mão-de-obra com boa capacidade de trabalho e de aprendizagem, acima de outros países da região, seria bom desenvolver, não sei se no Mindelo ou na Praia, uma plataforma para distribuir para os países da região. Para o Senegal, para Angola, para o Brasil tornando-se ponto de consolidação de cargas que vão fazer-se noutros países, como acontece na Holanda. Esta é uma possibilidade real para Cabo Verde que traria desenvolvimento às cidades portuárias e mais investimento para o país.

Para mais inforações sobre o tema a aceda a "Cabo Verde/Sectores da Economia/Transportes"

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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