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Energia: Caracterização
 

Clique aqui para aceder a "Política Energética de Cabo Verde" e aqui para "Energia, Sector da Economia"

Na década de 90, o país conheceu importantes investimentos no sector energético, mormente na electrificação rural, esforços prosseguidos por governos seguintes. Com isto, num mercado que entre 2000 e 2015 aumentou o consumo anual "per capita" de 330kWh para perto de 800 kWh, a taxa de acesso à electricidade ronda os 87% da população em 2013 beneficiando da cobertura que oscila entre os 99 e os 100% nas ilhas do Sal, São Vicente, Boavista, Maio e Brava.

Com excepção da Boavista, onde a empresa privada AEB-Águas e Electricidade da Boavista se tornou sub-concessionária de produção, transporte e distribuição, e Maio e Brava, onde os municípios têm a responsabilidade de produção, a energia eléctrica é assegurada pela ELECTRA, SA (clique aqui para aceder ao site), empresa detida pelo Estado de Cabo Verde (85%) e Municípios de Cabo Verde (15%). A esta empresa, por força de um contrato de concessão assinado em 2000 e válido por 36 anos, atribuiu-se o monopólio de transporte e distribuição de electricidade em todo o território nacional. A produção de energia independente é permitida a privados o que já acontece com a empresa Cabeólica (clique aqui para aceder ao site) detentora de parques eólicos em Santiago, São Vicente, Sal e Boavista, que fornecem à rede pública.

Desde 2012, com o suporte de uma Linha de Crédito de Portugal (100 milhões de euros) e apoios de outros parceiros internacionais, iniciaram-se obras de renovação e unificação das redes de transporte e construção de centrais únicas de produção -Santiago (já construída) e São Vicente, Fogo, Sal, Boavista e São Nicolau em construção (2015)- substituindo as microcentrais.

Santiago foi a primeira ilha a dispor de uma central desta natureza com uma potência instalada de 84 Mw, muito superior às necessidades da ilha que é de aproximadamente 40Mw nas horas de ponta. Numa outra vertente o sistema dispõe de uma estação elevatória de média (20Kw) para alta tensão (60Kw), no Palmarejo (cidade da Praia), transportando energia por 40Km de rede até Calheta de São Miguel onde uma subestação reduz novamente a tensão para 20Kw servindo as redes do Tarrafal, Santa Catarina e Santa Cruz, num total de 50 km de rede. Supõe-se que venha a ser instalada na Achada de São Filipe, bem perto da cidade da Praia, uma outra sub-estação.

Esta alteração gera evidente economia de escala, pela mudança tecnológica, acomoda o débito da produção por fontes de energias renováveis, que representa já 23% do total nacional, e facilita a utilização de combustíveis fósseis mais baratos (fuel) permitido significativa poupança de custos. Com estes investimentos a taxa de cobertura deverá atingir 100% em 2016.

A geotermia é uma outra vertente para a qual já existem alguns estudos prévios para avaliação do potencial geotérmico de Cabo Verde (clique aqui para aceder a entrevista ao Director Geral Energia (CV)/2010).

Unidades por Potência em 2015

Ilha

Unidade

Diesel (Mw)

Eólica (Mw)

Solar (Mw)

Santo Antão Porto Novo
Ribeira Grande
Paúl
Sub-total

1,8
3,8
-
5,6

   
São Vicente Matiota
Tarrafal
Sub-total

11
7,5
18.5



6

 
São Nicolau Ribeira Brava
Tarrafal
Sub-total

0,8
2,2
3



 
Sal Palmeira

9

8

 2,5

Boavista Sal-rei
Norte
Sub-total

2,2
0,2
2.4

 

2,5

 
Maio Porto Inglês

1,4

   
Santiago Palmarejo

84,0

 9

 5

 Fogo  São Filipe
Mosteiros
Cova Figueira
Sub-total

 3,0
0,8
0,2
4

   
 Brava  Favetal

1

   
 

 Total

 128,9

 24,5

 7,5

Produção de Energia (kW)

2005

2006

2007

2008

2009

Térmica

229.132

241.709

260.465

279.465

290.273

Eólica

6.450

7.441

6.869

5.510

4.661

Vapor

476

1.772

1.185

640

0

263.058

250.921

268.518

285.795

294.934

A privatização da ELECTRA, SA, já uma vez tentada mas com resultados insatisfatórios que levaram à inversão do processo, enquadra-se num amplo programa de reestruturação e desenvolvimento do sector energético, apoiado pelo Banco Mundial e outros parceiros de desenvolvimento. Os objectivos específicos do programa são o incremento da utilização da energia eólica e solar, a monitorização do sector de energia, a regulação do sector, a economia de energia, a melhoria das infra-estruturas de distribuição de água e ainda a recolha e tratamento de águas residuais na Praia e Mindelo. Este programa, iniciado em 1998, faz parte de um Programa de Reforma e Desenvolvimento dos sectores de Energia, Água e Saneamento (PEAS), com o objectivo de melhorar os serviços de produção e distribuição de electricidade e água e do sistema de saneamento e de introduzir um quadro institucional, legal e regulamentar capaz de garantir o desenvolvimento sustentado desses sectores, com a participação privada. No âmbito deste programa foram implementadas ou estão em curso um conjunto de projectos, a saber:

  • O estabelecimento de um quadro geral para o funcionamento do sector, designadamente criação de diplomas que definam as bases dos sistemas de electrificação nacional e o quadro jurídico da agência de regulação (ARM);
  • Publicação dos diplomas (decretos e regulamentos) relativos ao regime tarifário, incluindo as bases para a fixação e a revisão das tarifas, à qualidade e critérios dos serviços mínimos, às condições de acesso às redes pelos auto-produtores e produtores independentes de electricidade e às relações comerciais entre os actores no Sistema Nacional de Electricidade.

Energias Renováveis

Num país onde a energia custa 3 vezes mais do que na União Europeia (uma das mais caras do mundo), devido em boa parte a perdas técnicas (15%) e comerciais (15%), os programas de promoção dos recursos renováveis criaram uma base para a expansão destas fontes e um melhor equilíbrio no balanço energético. Vários projectos de produção de energia renovável foram realizados -solar fotovoltaica: Palmarejo (Praia, 5 Mw) e Sal (2,5 Mw), já inauguradas; eólicas na Praia (9 Mw), São Vicente (6 Mw), Sal (8 Mw), Boavista (2,5 Mw) e Santo Antão- visando aumentar a actual capacidade de produção de energia renovável.

Hoje Cabo Verde tem mais de 30Mw de potência renovável instalada estando, em algumas ilhas, perto do limite técnico aceitáveis pela rede (35)%. O próximo desafio é a sensibilização e educação para a eficiência energética.

Com a privatização da parte operativa do sector energético, ao Estado impõs-se a adopção de um quadro legislativo coerente e articulado com os principais objectivos estratégicos e assegurar a criação e implementação de estruturas e mecanismos de monitorização permanente, fiscalização, controlo e planeamento estratégico. É agora indispensável a consolidação da estrutura da Agência Reguladora Económica (ARE) por forma a responder aos desafios de regulação do mercado, nomeadamente no seguimento e controlo dos contratos de concessão e de licenças, de tarifas e preços, da qualidade de serviço e na protecção do consumidor.

Clique aqui para ver Tabela de Preços de Energia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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