Cabo Verde vai instalar quatro parques eólicos em outras tantas ilhas, com potência instalada de 28 megawatts, projectos orçados em 84 milhões de dólares (60 milhões de euros) e que deverão estar a funcionar antes do final do ano. O primeiro passo é dado já na Cidade da Praia, cuja edilidade assinou um acordo para a cedência do terreno, no Monte de São Filipe, arredores da capital cabo-verdiana, onde se pretende instalar uma potência total de 10 megawatts. Os quatro projectos -nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boavista- estão a ser desenvolvidos pela Cabeólica, empresa mista integrada pelo Estado de Cabo Verde, a empresa pública da distribuição de água e eletricidade ELECTRA (clique para aceder ao site) e InfraCo (clique para aceder ao site), uma entidade empresarial de doadores internacionais, que inclui, entre outros, o Banco Mundial (BM). Os projectos enquadram-se na estratégia do Governo caboverdeano em fazer subir a taxa de penetração das energias renováveis no arquipélago para os 25% até 2011 e 50% até 2020 -actualmente atinge apenas 2,3%.
Até ao final de 2011, o Executivo de José Maria Neves pretende subir a taxa de penetração das renováveis para valores entre os 3,8 e os 4%, tendo em conta que estão já em curso outros projectos ligados à construção de dois parques fotovoltaicos, através da empresa portuguesa Martifer, que pretende instalá-los em Santiago e no Sal. Assim que os projectos da Cabeólica e da Martifer estiverem concluídos, o que se prevê para finais de 2011, no primeiro caso, e ainda este ano, no segundo, Cabo Verde ficará com uma potência instalada de 35,5 megawatts, reduzindo significativamente a dependência do petróleo para fins energéticos e as emissões de dióxido de carbono.
Recentemente, o Director Geral da Energia caboverdeano, Abraão Lopes, lembrou que, por cada megawatt de potência, o Estado reduz as despesas com petróleo na ordem dos 30 milhões de escudos (272 mil euros), o que, multiplicado por 35,5 megawatts, levará, teoricamente, a uma poupança anual de 9,6 milhões de euros só em combustível. O total das despesas previstas no Orçamento do Estado para 2010 é de 553,2 milhões de euros, pelo que aquele montante representa 1,7%, o que, considerou Abraão Lopes, para a Balança de Pagamentos é "extraordinário". Abraão Lopes destacou ainda que, só com os parques eólicos, sem contar com os fotovoltaicos, vai evitar-se a emissão anual de mais de 12.000 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o que permite também avaliar a possibilidade de Cabo Verde vender créditos a países terceiros.
Segundo dados do Ministério da Economia caboverdeano, nos últimos 10 anos os consumos de energia e de combustíveis têm crescido, respectivamente, a uma média anual de 10 e 12%, o que agrava progressivamente a dependência externa e aumenta, desfavoravelmente, a exposição da economia face à elevada volatilidade dos preços internacionais do petróleo.
Os especialistas do sector têm repetidamente afirmado que Cabo Verde tem "grande potencial" de energias renováveis -eólica, solar e geotérmica-, e o Governo caboverdeano atribuiu recentemente à Martifer um estudo neste domínio, que se prolongará até ao fim do ano, para determinar o que poderá mais ser feito.
Fonte: Jornal OJE [11-02-2010]
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O aumento dos preços do petróleo, fruto da conjugação de diversos factores (desvalorização do dólar, aumento da procura nos países emergentes, instabilidade política e social em países produtores, alteração das carteiras de investimento e especulação) tem originado instabilidade dos mercados internacionais e inconstância de preços com consequências conhecidas em todo o mundo e especialmente nas economias mais carenciadas de recursos financeiros e naturais. Surge a necessidade de serem encontradas respostas alternativas.
Em Cabo Verde existe um consenso geral quanto à necessidade de implementação de sistemas de energias renováveis que permitam a redução da extrema dependência do País a fontes externas, entenda-se combustíveis fósseis, dos quais depende em 95% para a produção de energia. Este consenso assenta não apenas na vontade de diminuir a exposição da frágil economia caboverdeana aos choques externos mas também de contribuir activamente na preservação do meio ambiente aspecto bem caro ao arquipélago que vê no Turismo a sua principal fonte de receita.
As ilhas, umas mais do que outras, apresentam excelentes condições para o aproveitamento de energias renováveis, em especial a eólica e a solar, e eventualmente geotérmica, sendo no entanto este potencial sub-aproveitado, salvo alguns raros exemplos de torres aerogeradoras em São Vicente e na Praia instaladas não em função de decisões de produção sendo antes resquícios de projectos-piloto estrangeiros na evolução da tecnologia de produção de energia eólica.
O investimento inicial em sistemas de energias renováveis é elevado, sabe-se. Portanto, acima de tudo, antes da tomada de decisões com base em dados eventualmente conjunturais -não querendo com isto dizer que o actual nível de preço do petróleo o seja- há que que determinar as necessidades de produção energética em função de uma projecção de consumos num horizonte de pelo menos 15 anos e daí analisar existência ou não de capacidades internas para as suprir integrando as limitações das diversas tecnologias disponíveis. Daí à quantificação dos investimentos necessários é uma questão de análise faciltando a sua concretização posterior e aproveitamento das oportunidades.
Em resposta aos desafios que se colocam a um arquipélago totalmente desprovido de fontes de energia de origem fóssil e cuja “factura” energética se agrava gradualmente com a retoma do aumento dos preços do petróleo, o governo de Cabo Verde criou uma sociedade para gerir a instalação de4 parques eólicos nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boavista. A CaboEólica é participada da ELECTRA (clique para aceder ao site), a empresa estatal de produção e distribuição de água e electricidade, apoiada no fundo internacional de capitais públicos InfraCo (clique para aceder ao site) criado por 5 países europeus (Reino Unido, Suíça, Holanda, Suécia e Áustria) e pelo IFC/Banco Mundial para o desenvolvimento de infraestruturas nos países menos desenvolvidos. O governo de Cabo Verde espera que o arquipélago possa contar, até 2011, com cerca de 25 a 30% de taxa de penetração das energias renováveis e de 50% até 2020.
A introdução de reformas criaram estabilidade macroeconómica e um ambiente favorável de negócios em Cabo Verde tornando o arquipélago um destino atractivo para os investidores. É verdade que essa atracção se vem revelando quase em exclusivo no sector imobiliário-turístico pressionando o já de si altamente deficitário sector da Energia e Água. As soluções, fugindo a qualquer planeamento integrado e global, vão surgindo à medida de cada empreendimento. A resolução destas carências e a sua integração são oportunidades para as quem as queira antecipar o que é já possível através da linha de crédito de 100 milhões de euros disponibilizada por Portugal.
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