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ENTREVISTA: CI-Cabo Verde Investimentos - 24-04-2010

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Dr. Carlos Rocha, Administrador Investimento Externo; Dr. Rui Santos, Presidente (centro); Dra. Eileen Barbosa, Administradora Promoção Turística

Aproveitando um dos vários encontros que efectua regularmente com a Cabo Verde Investimentos, a Câmara de Comércio Portugal Cabo Verde quis dar a conhecer a nova Administração da Instituição e as linhas mestras da sua actuação. A nova equipa é composta pelo seu Presidente, Rui Santos, e pelos Administradores Carlos Rocha (Investimentos) e Eileen Barbosa (Promoção Turística) e aposta mais numa maior eficiência na aprovação e concretização de projectos, do que na sua quantidade e valor.

Há um ano atrás tínhamos um outro Presidente, Alexandre Fontes, que indicava como vectores essenciais da actuação da Cabo Verde Investimentos os quatros D`s –Diversificar origens de investimentos, Diversificar sectores de investimentos, Diversificar oferta turística e Diversificar destinos de investimentos. A nova Administração afasta-se desta filosofia?
Diríamos que não. O que a administração de Alexandre Pontes apontava era já necessário. Vamos por isso continuar nessa via. Tentaremos diversificar as origens dos investimentos, o seu destino dentro do arquipélago e também os sectores. O que estamos a fazer é tentar criar uma maior capacidade para fazer isso em tempo útil e de forma mais eficaz possível. Tanto quanto sei houve alguns contactos, mesmo na administração anterior, surgidos de mercados tradicionais que investem em Cabo Verde, como Portugal e Reino Unido, mas também com países da Europa do Leste, do Médio Oriente e do Norte de África. Nós estamos a tentar continuar nessa linha mas tentando mobilizar uma maior capacidade para fazer um melhor trabalho nesse sentido.

Quando aponta esses países considera-os como investidores ou emissores turísticos?
Tanto como investidores como emissores de turistas, consoante o que se revelar mais sensato para cada mercado. Mas a ideia é de que qualquer país que possa gerar investimentos, pode gerar turismo e vice-versa.

Quando fala da Europa de Leste, que países poderão ter algum potencial de investimentos em Cabo Verde e em que áreas?
Estamos ainda numa fase de estudos mas já temos contactos feitos com a Hungria, com a Polónia e estamos também a estudar a Rússia. Como disse ainda estamos numa fase de estudos e são estes estudos que nos vão indicar as áreas onde devemos focalizar mais directamente a nossa actuação.

Existe tradição de investimento externo desses países? Em que áreas podem eles ser úteis a Cabo Verde?
Ainda estamos numa fase exploratória. Estes países não possuem, ainda, essa tradição de investimento no exterior mas pode haver e em diversas áreas. Quando por exemplo falamos da Rússia provavelmente estarão mais voltados para a área do turismo. Os russos viajam e gastam muito quando o fazem; são muito exigentes e isso leva-nos a pensar até que ponto os nossos produtos serão adequados. A Hungria já tem indústrias alimentares, indústrias de serviços, indústrias transformadoras. O nosso procedimento é o seguinte, contactamos as agências, nossas congéneres, e as Câmaras de Comércio e fazemos uma primeira abordagem ao mercado para entender as possibilidades oferecidas por estes países. Neste momento estamos na fase de planeamento estratégico a médio-prazo, temos portanto de recolher o máximo de informação possível, obviamente com algum trabalho de casa, para determinar para onde direccionar, onde apostar. Mas isso não quer dizer que a Europa de Leste seja a nossa principal aposta. É, digamos, complementar a tudo aquilo que estamos a fazer.

Em tempos o Dubai, e outros países do Médio Oriente, foram entendidos como potenciais fontes de investimento. Continuamos crentes que daí possa advir investimento?
Posso dizer-lhe que o meu primeiro contacto profissional, e mesmo pessoal, com o Médio Oriente foi no Novembro do ano passado. Participamos numa conferência que foi organizada e realizada na Arábia Saudita chamada “Middle East and North African Investment Summit” e estabelecemos um primeiro contacto com os investidores dessa região. São investidores com capacidade financeira mas que não deixaram de ser, também, abalados pela crise internacional principalmente quando estamos a falar do Dubai. A questão que se coloca é se um país como Cabo Verde não parecerá pouco atractivo, pela sua dimensão e o tipo de investimentos que estes investidores estão acostumados a fazer. Mas mesmo assim, nós fizemos alguns contactos interessantes, com pessoas que tem interesses em áreas onde já há desenvolvimento em Cabo Verde, nomeadamente na imobiliária. Quando falamos com investidores falamos de Cabo Verde essencialmente pela dimensão regional e o papel que podemos ter nessa região. Apontam-se também áreas inovadoras como o Turismo de Saúde.

Outros sectores, para além do turismo tradicional. O que se está a pensar neste sentido?
Não descurando o Turismo tradicional de “sol e mar” pelo qual Cabo Verde é conhecido, em todas as ilhas devem encontrar-se formas de diversificar o turismo e fazer com que este passe a ter maior valor acrescentado e maior interacção: o turismo de saúde, o turismo envolvendo desportos náuticos, o ecoturismo, para as ilhas como Santa Antão, Fogo, eventualmente São Nicolau e Brava; fazer com que as pessoas tenham estadias mais prolongadas, combinando numa só deslocação a Cabo Verde a componente praia, cultura, turismo de natureza e fazer também com que as pessoas que já foram a Cabo Verde e que ficaram na ilha do Sal a fazer turismo de praia se decidam a regressar para então experimentarem outras ofertas que temos em Cabo Verde. Acho natural que as coisas não evoluam da noite para o dia pois temos de ser muito mais eficazes em termos de comunicação. Não só em termos de comunicação mas também de investigação prévia para levantamento e transcrição da nossa história e cultura para o material de divulgação. Muita gente não sabe, por exemplo, do valor e significado da Cidade Velha; por vezes nem sequer sabe da Cidade Velha quando procura Cabo Verde como destino turístico; não sabe da história de São Nicolau relativamente aos seminários e o seu papel na educação.

Que outras áreas, para além do Turismo, atraem investimentos para Cabo Verde?
Bem, na economia de Cabo Verde há espaço para todos os sectores. Nós temos as orientações do governo em termos da sua agenda para a transformação económica e, portanto, vamos dar uma atenção especial a alguns sectores que nós acreditamos que sejam o ponto de desenvolvimento da economia de Cabo Verde tal como se visualiza. Estes sectores são os Serviços Financeiros, Transportes e Logística em que nós ainda não estamos numa situação confortável, a Energia, a Educação, onde acreditamos que seja ainda necessário fazer muitos investimentos, na Saúde , do ponto de vista do investimento privado em clínicas cada vez mais especializadas. Eu diria que estas áreas são aquelas em que nós acreditamos que Cabo Verde tem boas oportunidades de investimentos e desenvolvimento.

Em termos da organização interna, é também hoje diferente a estrutura da CI-Cabo Verde Investimentos?
Em relação à estrutura interna da CI, em termos da nomenclatura, não é a nossa preocupação a criação de diferentes departamentos. Nós continuamos a ter um departamento ligado à promoção do investimento directo externo e um departamento ligado ao turismo (promoção turística) que também vai ocupar-se da comunicação para o exterior. Estamos ainda apostados em determinar o real potencial de Cabo Verde em termos de exportação, uma questão sempre relegada para segundo plano, porque a primeira constatação que se faz é que em Cabo Verde não temos capacidade industrial. Este departamento servirá para perspectivar as potencialidade do país neste aspecto. Provavelmente não para já mas para preparar o futuro de uma forma objectiva.

Uma das grandes apostas que a Cabo Verde Investimentos pretende fazer é o investimento no conhecimento; como poderemos relacionar-nos e promover-nos junto dos investidores externos se não sabemos quem são e como funcionam esses investidores? Por outro lado temos também uma estrutura muito condicionada para fazer trabalhos de grande projecção de Cabo Verde no exterior. É preciso ter técnicos de qualidade para se relacionar com investidores de grande nível; capazes de se aperceber e transmitir as realidades económicas do nosso país. Por isso vamos ter que investir muito nos nossos recursos humanos e prepará-los pensando não no custo mas no binómio “custo/benefício”. Naturalmente os recursos humanos que já estão na agência devem ser valorizados, formados e nós, claramente, vamos marcar a diferença neste domínio, porque quanto mais as pessoas tiverem capacidades de raciocínio, de análise, de comunicação, de “networking” mais o país se projecta.

Que tipo de redes de contacto que estão a pensar instituir para a atracção do investimento do exterior?
A nossa rede externa passará certamente pelas Câmaras de Comércio, pelo sector financeiro, que muitas vezes está em contacto íntimo com as multinacionais e investidores, pelas nossas congéneres, reactivando as relações de Cabo Verde com as agências de promoção de investimento de países que correspondam a interesses estratégicos para Cabo Verde, e pelas comunidades caboverdeanas com um determinado nível e que também podem representar o investimento externo.

Nota: Depois de alguns anos a apresentar elevado número de projectos aprovados com uma fraca taxa de concretização, essencialmente no sector imobiliário-turístico, a CI-Cabo Verde Investimentos regista a aprovação de um projecto de investimento em 2009. Originário da Holanda e gerando 38 postos de trabalho, insere-se na área das energias renováveis produzindo bio-diesel para exportação. Em “pipeline” encontram-se alguns outros projectos na piscicultura e, inevitavelmente, no Turismo. Noutros sectores, aprovado em 2008 mas ainda sem concretização, registe-se um projecto de piscicultura, captura e engorda de atum, e outro de indústria de tecnologia de construção, de 2007.

Investimentos Externos em Cabo Verde

Dos inúmeros projectos anunciados de 2005 em diante poucos são os que passaram do anúncio para o terreno. Na ilha do Sal, exceptuando o “Vila Verde Resort” (90% vendido) cujo promotor “Tecnicil Hotels & Resorts”, empresa promotora imobiliária 100% caboverdeana, se empenhou profundamente na sua conclusão, apesar da crise internacional, obrigando-se mesmo a lançar um empréstimo obrigacionista de 10 milhões de euros para assegurar os meios necessários para terminar o empreendimento, mais nenhum viu ainda a “luz do dia”. Na mesma ilha, o “Paradise Beach”, ao que se diz já completamente comercializado, depois de diversos entraves, originados essencialmente pela gestão deficiente, e com nova gestão do projecto, promete entrega da sua 1ª fase em Dez2010/Jan2011 e 2ª fase em Junho 2011. As iniciativas da Turinvest (Grupo Stefanina, Itália) “Djadsal Moradias”, “Pedra de Lume Marina & Golf Resort” e “Alto Mondeio” embora desenvolvendo-se a um ritmo mais lento do que o previsto vão avançando notoriamente. Anunciado um pouco mais tarde, e talvez por isso lançado com um realismo mais consentâneo com o momento de crise que se abateu sobre o sector imobiliário-turístico, o “Salinas Sea” (clique para aceder a notícia) do Grupo Oásis Atlântico  e o “Tortuga Beach Resort & Spa” avançam a bom ritmo. Ainda na mesma ilha são vários os projectos que se mantêm no papel prometendo arrancar em breve. São eles, entre outros, o “Murdeira Beach Resort”, “Calheta Bay Resort”, “Cotton Bay Resort”, “Porto da Murdeira” e “Vila do Atlântico”.

Em São Vicente o panorama não é diferente. Dos 3,6 biliões de euros de investimento previstos a prazo (460 milhões por ano) nada surgiu. Desde o “Baía das Gatas Golf & Beach Resort”, “Fortim d`el Rei”, “Salamansa Sands”, “Cesária Jewel of Atlantic Resort”, “Boat House”, “Flamengo Resort” até ao “Saragaça” a paralisação é geral. Talvez agora que o Aeroporto Internacional de São Pedro recebeu o seu primeiro voo internacional regular, com a TACV, a 30 de Abril, seja chegado o momento de dar à ilha a capacidade de acolhimento adequado ao potencial de atracção turística que efectivamente possui.

Na Boavista e no Maio a situação é algo diferente. Dependentes não da CI-Cabo Verde Investimentos mas da SDTiBM-Sociedade de Desenvolvimento Turístico das ilhas da Boavista e Maio, o planeamento estrutural das ilhas (nomeadamente os POT) leva a que a análise da qualidade dos projectos candidatos e os processos de negociação para atribuição dos terrenos para construção seja mais apurada justificando-se por estas 2 razões a maior contenção nas realizações.

Por essa razão, na Boavista, à parte os hotéis da cadeia “Riu”, já em funcionamento na Praia de Chaves e em construção na Praia de Santa Mónica, e a unidade hoteleira “Iberostar” pouco mais é visível de novo. As extensas ZDTI-Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado continuam vazias. Os projectos da empresa escocesa FM Developments, “Sabi Sands” e “Creola Sands”, que se encontravam já em adiantado estado de construção, sofreram um revés com a falência da empresa promotora. A solução parece residir na intervenção dos quadros caboverdeanos associados ao projecto, eventualmente em consórcio com a empresa construtora, assumindo a responsabilidade de terminar os empreendimentos.
As infraestruturas, essas, dão sinal de se adaptarem às necessidades futuras da ilha com a atribuição da construção do novo porto marítimo da Boavista, o lançamento do concurso para a construção da via rodoviária estruturante da ilha e a melhoria das condições de funcionamento do Aeroporto Internacional de Rabil.

No Maio, os projectos da SOGEI, “Salinas Beach Resort” e “Morro Beach” estão decididos e as suas unidades vêm sendo apresentadas para venda.

Em Santiago, a ilha para a qual se aponta um menor número de projectos imobiliário-turísticos e hoteleiros mas para onde se criavam expectativas com o “Vilas Oceânicas-Ponta Bicuda Resort” ou com outros empreendimentos de cariz essencialmente habitacional e comercial como o “Praia Towers” e outros semelhantes, só o “Centro Comercial Calú & Ângela” veio na verdade a erguer-se (deverá estar concluído no final de ano). O hotel do Grupo Stefanina, frente à Gambôa, parece vir, efectivamente, a iniciar-se em breve assim como o “Prainha Suite Hotel” do Grupo Oásis Atlântico este ainda em fase de estudo e licenciamento. Contrariamente o “Santiago Estrela Resort”, situado na estrada em direcção à Cidade-Velha, mantém-se sem início à vista, bem como outros que aproveitariam a faixa litoral desde a Praia de São Francisco até ao Norte. Aguardam talvez a certeza de construção da via rápida Praia-Tarrafal, que facilitaria o acesso a esta zona da ilha de Santiago e a tornaria bastante mais atractiva em termos turísticos. Na Cidade-Velha, zona histórica com características turísticas muito próprias e interessantes, vão nascendo alguns pequenos empreendimentos que em breve darão vida a esta pequena e pacata localidade piscatória.

Clique para aceder a página temática "Imobiliária-Turística em Cabo Verde"



 

 
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