São Vicente está agora mais perto de Lisboa. O aeroporto internacional de São Pedro recebeu a 30 de Abril de 2010 o primeiro voo regular dos TACV entre Lisboa e São-Vicente que levou à ilha cabo-verdiana 169 passageiros. Entre os 22 convidados da companhia aérea marcaram presença os responsáveis dos cinco operadores que mais comercializam o destino: Soltrópico, Solférias, Abreu, Entremares e ES Viagens, a par das agências de viagens Barros & Amado e Moratur. Nas palavras de Graciete Gomes, delegada dos TACV em São Vicente, «este voo irá trazer um valor acrescentado ao turismo e à economia local», reforçando ainda que a abertura deste espaço aéreo representa «o realizar de um sonho para Cabo Verde». O voo, de carácter semanal, com saída às sextas-feiras, foi a primeira ligação internacional regular a aterrar no aeroporto internacional de São Pedro, inaugurado oficialmente a 22 de Dezembro de 2009. No entanto havia já recebido três voos internacionais, pontuais, provenientes de Boston e Paris, durante o período do Carnaval do Mindelo, evento cultural que todos os anos atrai centenas de visitantes à ilha cabo-verdiana, considerada o pólo cultural do país.
Destino cosmopolita
Esta nova porta de entrada na ilha de São Vicente representa a abertura de um novo destino em Cabo-Verde. A cidade do Mindelo é a mais importante da ilha e uma das mais cosmopolitas do país sendo, antes de mais, um pólo cultural muito activo. Com uma população de cerca de 80 mil habitantes a terra de Cesária Évora é uma povoação de sonoridades quentes, como o “funaná” e as mornas, e de cores igualmente cálidas que a arquitectura colonial alinha pelas ruas em edifícios que não deixam esquecer a influência portuguesa, como é o caso da réplica da Torre de Belém e do busto de Luís de Camões na praça central da cidade. A influência brasileira, por seu turno, supera em muito a africana e escuta-se no estilo de vida dos mindelenses que se reúnem na praça central até ao espraiar da noite com a música na voz e a dança nos pés. As batidas dos ritmos sintonizam-se com as vibrações de todos quantos partilham estes concertos acústicos ao ar livre até altas horas da madrugada, junto ao coreto da praça principal.
Com uma das populações mais jovens do país a cidade é artisticamente imprevisível. Só assim se explica que numa noite quente de Sábado se despolete uma batalha de dança improvisada, ao estilo de “street dance”, com movimentos inspirados no “break-dance”, “hip-hop” e capoeira que magnetizam um público muito entusiasta. Pulsões artísticas como estas justificam a fama de que o Mindelo tem as noites mais animadas do arquipélago. Para lá dos movimentos espontâneos, a cidade organiza eventos culturais bem-sucedidos, como é o caso do Carnaval de rua, ao estilo carioca, realizado também em Fevereiro, e o Festival de Música da Baía das Gatas, que se realiza anualmente em Agosto, desde 1984, na praia que lhe empresta o nome. A riqueza humana e cultural da ilha tem raízes históricas uma vez que São Vicente sempre foi um ponto de passagem de embarcações vindas de várias paragens. Tal intercâmbio justifica ainda o carácter aberto e afável dos habitantes da ilha, que entre sorrisos e acenos espontâneos consumam em pleno a renomada hospitalidade.
A doçura de São Vicente jaz no estilo de vida pacato e despreocupado dos seus habitantes que diariamente cultivam o hábito de se exercitarem de manhã e ao entardecer junto ao mar. Na praia de Santiago, uma das preferidas dos habitantes da ilha, juntamente com a da Baía das Gatas, os desportos marítimos são os grandes protagonistas graças às boas condições para a prática de “surf” e “bodyboard”, quer pelas ondas quer pela intensidade do vento, que na ilha de São Vicente não dá descanso. As águas mais turquesa da ilha encontram-se, contudo, na pacata aldeia de São Pedro, a cerca de dez quilómetros da cidade de Mindelo e ao lado do aeroporto. Árida e muito ventosa, a praia desta povoação é pincelada pelos barcos de pescadores que aqui colhem o melhor peixe da ilha.
Fora de água, o território vulcânico e montanhoso de São Vicente convida aos exercícios pedestres, como a caminhada e o BTT, que se observam, por exemplo, na romaria de pessoas que sobem e descem o Monte Verde, sem dúvida uma das melhores vistas sobre a ilha. A montanha mais emblemática dá pelo nome de Monte Cara, tal é a sua semelhança ao perfil de um rosto humano com os olhos postos no céu. Além de ser o “ex-libris” da ilha, diz-se também que é um dos seus guardiões e o motivo pelo qual é abençoada. Apesar de não ser um destino de praia por excelência, São Vicente tem uma localização privilegiada que permite combinar diversos circuitos.
Proximidade a Santo Antão
Com a nova rota dos TACV, também a ilha de Santo Antão se torna numa opção mais acessível uma vez que entre os dois territórios existem “ferries” com ligações diárias. Quando o tempo assim o permite é possível observar as montanhas de Santo Antão no horizonte, uma das ilhas mais verdes do arquipélago cabo-verdiano e que dista apenas a 45 minutos de barco da ilha de São Vicente, sem dúvida uma nova porta de entrada para quem pretenda (re)descobrir Cabo Verde.
Vânia Penedo [in Revista Viajar, 1ª Quinzena de Maio, nº 273, 2ª Série]
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