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Cavaco Silva, à chegada a Cabo Verde (Praia), com Pedro Pires
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Naquela que foi a sua 5ª passagem, a 2ª enquanto Chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva deslocou-se a Cabo Verde para uma visita oficial de 4 dias (4 a 7 de Julho) a qual coincidiu com as celebrações do 35º aniversário da independência (05 de Julho, 1975-2010) e os 550 anos do descobrimento de Cabo Verde (01 de Maio, 1460-2010). Esta foi a primeira vez que um Chefe de Estado português assistiu a comemorações desta natureza.
Esta visita, eminentemente política e cultural, quis reiterar a “excelência das relações entre Portugal e Cabo Verde", países que olham para o passado sem complexos, antes ocupados a olhar para um futuro que se quer de parcerias sólidas e convergentes em domínios que vão da política à economia, da cultura à educação, à formação ou à ciência e tecnologia, aproveitando um legado de Afinidades que não se esgotam na língua comum “determinante da identidade, coesão e influência dos espaços políticos e económicos. Num mundo globalizado mais do que as fronteiras geográficas, são os valores imateriais que determinam a identidade, a coesão e a influência dos espaços políticos. A língua assume, nesse contexto, uma importância estratégica.”, disse o Presidente português que terminou assegurando "que o português nunca se afirmará em oposição a qualquer outra língua, idioma ou dialecto; pelo contrário deve integrar palavras e expressões próprias do mosaico cultural dos povos que a falam". Cavaco Silva ao longo do seu percurso enquanto personalidade política deu mostras de privilegiar o plano das relações com o mundo lusófono -foi também sob a sua liderança que Portugal esteve no centro da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)- sendo por isso natural que nesta visita abordasse a necessidade do reforço e afirmação da língua portuguesa.
No primeiro dia de visita, 5 de Julho, no quadro das comemorações oficiais dos 35 anos da independência de Cabo Verde, em cujo desfile militar participaram, simbolicamente, forças portuguesas, nomeadamente uma demonstração de cinco pára-quedistas, Cavaco Silva fez uma intervenção solene na sessão extraordinária na Assembleia Nacional aludindo aos “feitos da nação caboverdeana" lembrando “que no início se dizia que (Cabo Verde) era praticamente impossível" e considerando o arquipélago “apesar dos recursos muito escassos, um caso exemplar no contexto africano onde, com muito trabalho, se construiu um país em que a democracia funciona, as regras democráticas são aceites sem contestação e a alternância política e sucessão pacífica de governos eleitos é um sinal de maturidade democrática e da cultura de tolerância do povo caboverdeano”. Das suas anteriores visitas, enquanto Primeiro-Ministro de Portugal, lembrou que “não há comparação possível entre o Cabo Verde dos anos 80 e o Cabo Verde do início do século XXI. A evolução foi notável e os grandes agentes da mudança foram os homens e as mulheres de Cabo Verde. Este capital humano é, de facto, a grande riqueza de Cabo Verde” concluiu Cavaco Silva que lançou, por isso, que “os caboverdeanos têm todas as razões para estarem orgulhosos”.
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Ampliação do Porto da Praia
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Nos 2 dias de efectiva visita oficial, 6 e 7 de Julho, o Chefe de Estado português cumpriu um intenso programa nas ilhas de Santiago e São Vicente começando por ser agraciado com o 1º grau da Ordem Amílcar Cabral, a mais alta condecoração concedida por Cabo Verde, seguindo depois para a Câmara Municipal da Praia onde recebeu das mãos do seu Presidente, Ulisses Correia e Silva, as chaves da cidade. Nesta sequência, Cavaco Silva encontrou-se ainda com o seu homólogo, Pedro Pires, com o Presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima, com o primeiro-ministro do arquipélago, José Maria Neves, e com o líder do maior partido da oposição e antigo primeiro-ministro (1991-2000), Carlos Veiga.
Na tarde do 1º dia houve ainda lugar a iniciativas alusivas à língua portuguesa, tema valorizado ao longo desta estada em Cabo Verde, presidindo à cerimónia de encerramento de um colóquio sobre o tema, na Universidade de Cabo Verde, passando pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e abrindo o sempre aguardado evento anual da “Feira do Livro”, na Biblioteca Nacional.
Passou ainda pela inauguração do recém-criado Banco Espírito Santo (Cabo Verde) e pelas obras de ampliação do Porto da Praia, um equipamento parcialmente apoiado por financiamento de Portugal (aproximadamente 45 milhões de euros). Pouco depois voou para o novo Aeroporto Internacional de São Pedro (São Vicente).
No dia 7 de Julho, já no Mindelo, nos Paços do Concelho, o Presidente português voltou a um tema da sua preferência actual: “a economia do mar”. Para Cavaco Silva, tendo em conta a dispersão arquipelágica e posição geográfica de Cabo Verde, “Mindelo é centro portuário e pólo de atracção do comércio e serviços relacionados”. Também a Ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, se sintoniza com esta visão: "Cabo Verde é antes de mais mar e céu. Só temos 4.000 km2 de terra. Logo, a nossa visão estratégica tem que ter isto como ponto de partida; o cluster do mar tem que se transformar num motor do crescimento económico. E, quando falamos de “cluster do mar”, falamos do porto de águas profundas, e aí surge o Mindelo, como epicentro; não só como porto de transbordo, uma peça fundamental num investimento de 400 milhões de euros, mas também centro internacional de pescas, de armazenamento e conservação, de exportação, eventualmente de transformação, de reparação naval, de actividades turísticas e até como centro de excelência em termos de segurança marítima e investigação oceanográfica", frisou.
Noutro contexto, de visita à réplica da Torre de Belém (antiga capitania do Porto do Mindelo), completamente restaurada com financiamento do IPAD-Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Cavaco Silva aludiu “aos encantos do Mindelo enquanto capital de cultura pelo seu rico património histórico que convive com realizações e projectos que apontam decididamente para o futuro”. |