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ENTREVISTA: WINRESOURCES - 09-06-2013


Abrangendo 3 áreas no sector do Agronegócio (WinFarming: agroindústria; WinTrading: distribuição internacional de produtos alimentares; WinResources: consultoria em agricultura, agroindústria e turismo em espaço rural) o grupo Win tem presença em Portugal, Bulgária, Estados Unidos, Cabo Verde e Moçambique.

imgO seu braço consultor (actividade “pivot” do grupo) instalou-se em Cabo Verde no ano 2008 onde têm realizado alguns trabalhos e promovido encontros de debate e reflexão sobre o sector (clique aqui para ver notícia). Mais recentemente a WinTrading, através da WWS (clique aqui para ver notícia), sua participada em Cabo Verde, iniciou a importação, representação, promoção e comercialização de vinhos portugueses no arquipélago ao mesmo tempo que estuda a valorização e exportação de vinhos caboverdeanos. O seu Director-Geral, Dr. Davide Freitas, afirma "Estamos para ficar".

Explicando melhor, o que faz a WinResources? A WinResources elabora planos de exploração, planos de negócio, estudos de mercado, estudos sectoriais, planos de marketing, organização empresarial, aconselhamento, apoio na execução técnica dos projectos, da teoria à prática. Existem projectos em Cabo Verde que estão a ser acompanhados por nós, desde a fase conceptual passando pelo financiamento e acabando na execução do plano de negócios. Temos técnicos a acompanhar todas estas etapas. Quando verificamos que existem dificuldades do empresário agrícola em dar corpo à execução do plano de negócios damos um serviço acrescentado para que os projectos atinjam os fins a que se propõem. Esperamos em Cabo Verde também concretizar esse apoio técnico na execução do projecto. Em traços gerais é isto a WinResources (clique aqui para aceder ao site).

Atrás disto temos tentado fazer um trabalho mais macro, de apoio a entidades públicas e agências e organizações sectoriais. Por exemplo em Cabo Verde fomos contratados pela DGASP-Direcção Geral de Agricultura, Silvicultura e Pecuária para fazer um estudo sobre o potencial do Agronegócio identificando para cada região de Cabo Verde o que era feito, o potencial de cada uma delas e os nichos de segmento de valor acrescentado. Também para a UNOTUR-União dos Operadores Turísticos fizemos uma análise do potencial do Turismo Rural para atracção de investidores que se interessassem por esse potencial. Basicamente trabalhamos a estes dois níveis: individual e institucional.

Em Portugal tinham já uma actividade diversificada...… Em Portugal temos duas propriedades (Tomar e Trancoso) para produção de queijo. Em Cabo Verde temos também uma promessa de concessão na Boavista, em parceria com agricultores caboverdeanos, para produção de hortícolas e morangos. O terreno está identificado, está ser feito o levantamento topográfico e a sua delimitação. Contamos iniciar o investimento ainda em 2013. Queremos aproveitar uma oportunidade para a hotelaria. Em Moçambique, em parceria com uma entidade estatal, vamos explorar um terreno de 1.000 ha numa zona de regadio para produção de cereais e batata inglesa.

Na Distribuição temos neste momento unidades em Portugal, para o território europeu, temos outra unidade nos Estados Unidos, uma em Cabo Verde e outra em Moçambique. Pretendemos em 2014 alargar a nossa área de intervenção para Angola, São Tomé e Príncipe e Brasil.

Sendo Cabo Verde um país seco onde durante tanto tempo nunca se acreditou no Agronegócio como é que debruçaram sobre ele? Na génese da WinResources estiveram sempre pressupostos de internacionalização. Apostámos em Cabo Verde por 2 razões. a) porque verificámos que havia uma grande dependência externa em termos alimentares que não seria sustentável por muito tempo; b) porque com as tecnologias e técnicas existentes é hoje possível produzir em circunstâncias onde antes não era possível. Também porque ao entrarmos em África, fazendo-o por Cabo Verde o risco seria controlado pela distância e dimensão dos investimentos envolvidos. E de facto quando fomos para Moçambique já tínhamos alguns modelos de negócio testados. E neste processo foi muito importante o papel da Câmara de Comércio Portugal Cabo Verde que nos deu conselhos, motivação, encorajou-nos e encaminhou-nos em Cabo Verde. Começámos então a cativar algumas pessoas para a transição de uma agricultura de subsistência para outra de negócio e rendimento e hoje em dia o “agronegócio” entrou definitivamente no léxico empresarial caboverdeano.

imgE a WinResources tem feito por isso porque já realizou dois grandes seminários que envolveram as principais figuras do sector…. Desde 2008, promovemos e ocorreram em Cabo Verde um conjunto de iniciativas (workshops, seminários, conversas informais, reuniões variadas) que tiveram o mérito de mobilizar pessoas influentes e interessadas no sector que perceberam a mudança de paradigma e ajudaram a encarar o agronegócio como uma proposta interessante no curto/médio prazo. As circunstâncias internacionais também ajudaram. O decréscimo de transacções de terras para o negócio imobiliário-turístico fizeram com que algumas propriedades ficassem sem comprador e o aumento recente dos preços internacionais dos produtos agrícolas fez acreditar que não sendo possível vendê-las seria preferível cultivá-las. Ao mesmo tempo contribui para a independência e segurança alimentar do país.

Por outro lado estão a ser construídas diversas infraestruturas que vão alterar por completo o panorama agrícola. Refiro-me à mobilização de água (barragens e furos), centros de recolha e processamento de produtos agrícolas em diversas ilhas (Santo Antão, Fogo, São Nicolau) e fala-se na possibilidade de parcerias "público-privado" em actividades agroindustriais para transformação de produtos excedentários. Não bastará construir infraestruturas, é certo; há que optimizá-las e garantir uma rede de transportes terrestres e marítimos interilhas para fechar o circuito.

Resta saber como se coordenarão as diversas instituições e instrumentos entretanto criados como a ADEI-Agência de Desenvolvimento e Empresarial e Inovação (clique aqui para aceder ao site), a CVGarante-Sociedade de Garantia Mútua e o Novobanco que podem alavancar e assumir papel decisivo no sector. Será ainda necessária a conjugação de políticas entre o Ministério do Desenvolvimento Rural, o Ministério das Finanças, o Ministério do Turismo Indústria e Energia, o sistema financeiro (capital de risco, capital bancário, seguros) e o próprio empresário se encarregará de exigir o desenvolvimento dos seus serviços. Com isto pode criar-se um conjunto de dinâmicas que num prazo de 10 anos mudem o panorama agrícola em Cabo Verde; a WinResources quer estar presente nestas fases todas. Acreditamos que temos um papel a desempenhar pois estão identificadas as oportunidades e como podem ser potenciadas.

Que produtos encerram maior potencial? Há produtos com enorme potencial internacional. Falo do “grogue”, do vinho do Fogo, do café, do feijão-congo, eventualmente do queijo de cabra, dos doces. Cabo Verde tem produtos de grande qualidade que por incorporação de pequenas coisas, seja ao nível do processo produtivo, seja ao nível da certificação de qualidade, da embalagem, do marketing internacional, poderão ser exportados para mercados com superior poder de compra garantindo receitas para o país e para os empresários e melhores salários para os trabalhadores.

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Que carências nota no ambiente do sector? Noto que em Cabo Verde existem insuficiências a vários níveis o que ao mesmo tempo reflectem oportunidades. A produção agrícola é deficitária. Tem de ser  organizada (em produto e em quantidade) de forma a não criar muitos excedentes. Se e quando houver excedentes como serão tratados de modo a optimizar a sua transformação? Ao nível dos fornecedores de factores de produção (sementes melhoradas, plantas, pesticidas, adubos, máquinas agrícolas, logística), da transformação agro-industrial, das redes de distribuição, da diferenciação do produto, dos serviços conexos, há muito por fazer.

Por outro lado é premente resolver a gestão da água de rega o que implicaria o estabelecimento de associações e agrupamentos de agricultores para compra integrada dos factores de produção, de partilha de distribuição/logística e nos investimentos de penetração de mercados. É crucial que isso aconteça. Preconizo, e é também uma visão comum do Ministério do Desenvolvimento Rural, que deve ser uma realidade o estabelecimento de parcerias "privado-privado" ou "público-privado" entre investidores externos e entidades nacionais. Não para projectos megalómanos mas rentáveis e com mercado. Poderão existir empresários portugueses interessados em transferir “know-how”, equipamentos, talvez capital; pelo menos capacidade de organização e gestão.

Que oportunidades de negócio detectam no Agronegócio caboverdeano? Embora Cabo Verde não tenha solos espessos possui solos ricos, tem temperatura e pode mobilizar água. Há um conjunto de produtos que podem ser encarados de uma outra forma, encontrando-se algumas sinergias e complementaridades, nomeadamente com os terrenos que Cabo Verde possui no exterior, e ultrapassando-se a crítica questão dos cereais para produzir rações a bom preço. Incorporando-se alguma produção local com o aproveitamento das barragens, a Pecuária pode conhecer um desenvolvimento significativo na produção de leite e derivados (queijos, requeijão, yogurtes) e na criação de gado (suíno, ovino, bovino), no abate e transformação de carne, disponibilizando-a a preço competitivo, com qualidade e reduzindo importações.

imgPodemos falar também de produção e transformação de hortícolas e frutícolas (batata, tomate, uva de mesa e muitos outros), quer para venda directa quer para industrialização em compotas, sumos, etc… Tudo isto num mercado com entrada de turistas a crescer e um mercado interno cada vez mais sofisticado.

Também o Turismo em Espaço Rural é outra componente de rendimento associada à agricultura e neste momento já existem condições para o promover. Já existem voos regulares, operadores turísticos habilitados a criar pacotes alternativos e é neste tipo de turismo que ocorrem as maiores taxas de crescimento nos últimos anos; a seguir ao golfe e aos desportos hípicos é onde o turista está disposto a dispender mais dinheiro. As pessoas querem estar em contacto com a natureza mas exigem condições: água, energia, actividades conexas como roteiros turísticos. O potencial é muito grande mas tem sido muito pouco explorado. O caminho tem de ser este. Gradualmente criar condições de transportes interilhas, diminuir os seus elevados custos, adequar as zonas de produção às zonas de consumo, a conservação, a transformação industrial. O sector primário é, em todos os países desenvolvidos, fundamental para o seu desenvolvimento.

Quais são as vossas expectativa em Cabo Verde? As nossas expectativas são boas. Somos reconhecidos, há um conjunto de trabalhos que podemos e devemos fazer, estamos no mercado de “corpo e alma”, entendemos que o mercado é interessante, não temos dúvida que na consultoria do agronegócio vai haver muito trabalho nos próximos dez anos. Temos qualificações, temos bom nome, temos um conjunto de técnicos caboverdeanos, temos o modelo de negócio desenvolvido. Entendemos é que podemos maximizar e potenciar mais trabalho. Estamos para ficar.

 
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