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OPINIÃO: «Juntos em novas geografias» - 01-10-2015


imgDepois de décadas de grande envolvimento, numa postura pronunciadamente comercial, em que Portugal se posicionou e manteve como principal fornecedor de Cabo Verde, e este país como o maior cliente “per capita” de Portugal, ressurge o reconhecimento do papel que Cabo Verde pode desempenhar na abordagem das empresas portuguesas a novos mercados africanos. Portugal pareceu ignorar este potencial durante anos a fio.

De facto, desde sempre se apregoou a excelente relação existente entre estes dois países justificando-a com as “afinidades históricas, biológicas e linguísticas” e louvando a força e estabilidade dessas afinidades. No entanto, em termos económico-empresariais nada de realmente importante acontecia senão a sempre disponível e generosa “cooperação” portuguesa para com as necessidades orçamentais caboverdeanas. Portugal também nunca propôs “mais do que isso”.

Não que Cabo Verde se tivesse mostrado indisponível para “mais do que isso” mas porque as empresas portuguesas, e as próprias autoridades, e seus esforços diplomáticos, compreensivelmente, sempre olharam com mais apetite para outros países que pelos seus recursos e enquadramento continental lhes eram mais atraentes. Mas algo parece estar a mudar.

A recuperação económica, os crescentes níveis de confiança e toda uma nova realidade competitiva em Portugal -a par da lição que economias pouco diversificadas e altamente dependentes do exterior encerram riscos incontroláveis- abrem caminho para um novo entendimento sobre a abordagem correcta a mercados externos. Factos recentes vieram recordar o velho ditado que não se deve “colocar todos os ovos no mesmo cesto” privilegiando apenas lucros rápidos e enganadoramente fáceis em detrimento de trabalho de longo prazo em mercados também eles promissores.

Cabo Verde volta assim a posicionar-se como eventual plataforma para novas geografias. A mais próxima (Guiné-Bissau), a eternamente prometida (África Ocidental - CEDEAO) e as “tradicionais” União Europeia e Estados Unidos. Iniciativas nesse sentido sucederam-se em 2014 justificando a atractividade de Cabo Verde sob vários aspectos. Mas será mesmo assim?

No primeiro caso, depois da convincente estabilização política, a "cúpula" empresarial caboverdeana (Câmaras de Comércio) e Ministério do sector não perderam tempo ao deslocar-se em interessada missão empresarial à Guiné-Bissau. Rreconhecem este “novo” país como mercado prioritário para os operadores económicos caboverdeanos, pelo potencial que representa em si próprio e pela proximidade aos demais países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

No segundo caso, Cabo Verde situa-se na “boca” de uma união económica (CEDEAO) onde residem 300 milhões de consumidores, num potencial imenso onde, a prazo, não pode acontecer outra coisa senão concretizar-se. Terá uma “aliança” entre Portugal e Cabo Verde capacidade para nela penetrar vencendo os difíceis constrangimentos? Aqui desempenham papel fulcral as associações empresariais (mormente as bilaterais se as houver), os empresários e individualidades locais (portuguesas e caboverdeanas, que haverá) e o suporte técnico e sólida resistência para enfrentar o “modus operandi” das intrincadas e arbitrárias instituições, próprias da região (será alguma vez possível ultrapassar estas especificidades?). Tudo necessariamente emoldurado pela esforçada concertação das diplomacias portuguesa e caboverdeana.

Aceitemos que se revele uma aposta demorada e que exija um trabalho longo. Mas precisamente por isso é de todo conveniente que a base esteja num país amigo, num plano cultural compatível com os “extremos”, seguro e com custos de instalação relativamente baixos. Assim talvez lá cheguemos.

No terceiro caso a utilização dos acordos com estas economias é já uma realidade. Embora numa escala inferior ao desejável, mas numa relação institucional e regulamentar clara e transparente, Cabo Verde está já familiarizado com a utilização tanto do SPG++ (União Europeia) como do AGOA (Estados Unidos); tanto por via das exportações de produtos do mar, calçado e confecções para a União Europeia, e mais timidamente para os Estados Unidos, como de aguardente, apenas para os Estados Unidos.

É no entanto evidente que Cabo Verde parece não saber ainda explorar a relação com qualquer destes blocos económicos perdendo-se no dilema de uma aposta na CEDEAO (onde desacompanhado não tem qualquer hipótese) ou uma definitiva ancoragem mais a norte, transformando em Cabo Verde, quiçá comprando em África, e exportando para a Europa e América do Norte.

Para qualquer dos casos muito ajudaria a concretização do Centro Internacional de Negócios de Cabo Verde, conceito já legislado mas cuja regulamentação demora ao ponto de já serem necessárias “explicações” sobre o que dele eefectivamente esperar.

Poder-se-á dizer, “Finalmente juntos para novas (mas também para as tradicionais) geografias?

João Manuel Chantre
Vice-Presidente Executivo
Câmara de Comércio Portugal Cabo Verde

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